01 julho 2008

Trabalho e Espiritismo

O conceito de trabalho varia de acordo com a ciência que o estiver analisando. Na física, é a produção de movimento ou de atividade a um corpo que resiste por meio de uma força outra. Na fisiologia, é o desgaste de energia na ação muscular ou mental. Na economia, é a atividade produtora de bens e serviços. Na filosofia, que faz uma síntese de todas as ciências, envolve, além disso, a criação e evolução do ser.

O trabalho é considerado uma lei natural porque trás implícito o elemento necessidade. Trabalha-se porque se tem que satisfazer às necessidades, que se ampliam conforme a civilização se torna mais complexa e dinâmica. Necessidade é a consciência de que nos falta algo. Conforme formos progredindo ,vamos tendo necessidade de uma quantidade maior de bens para atender à nossa demanda pessoal. Hoje, incorporamos ao nosso dia-a-dia diversos bens e serviços que no passado eram considerados supérfluos. Exemplo: informática. Quer queiramos ou não, temos de nos adaptar à nova civilização.

A disposição ao trabalho varia para cada um de nós. Muitas vezes, a má escolha da profissão, por não atender à nossa vocação, é causa de muitos dissabores. Optamos por uma profissão que nos dá mais dinheiro e esquecemo-nos de que devemos construir no trabalho a nossa própria personalidade. Independentemente de termos feito a escolha segundo a nossa vocação, a psicologia adverte-nos que devemos fazer esforços por gostar daquilo que estivermos fazendo.

A maioria de nós vê somente o lado material do trabalho, ou seja, o dinheiro ganho que poderá ser utilizado na compra de bens que nos propiciarão mais conforto. Importa não nos iludirmos com essa facilidade aparente. Muitas vezes, se não soubermos utilizá-los com racionalidade, ao invés de ser um bem é um mal. Observe o automóvel: se o utilizarmos em tudo, deixamos de andar a pé e poderemos vir a ter problemas cardíacos. Do mesmo modo é a televisão. A facilidade da notícia cria a mentalidade da notícia. Se não prestarmos atenção, raras vezes estaremos visitando a nós mesmos.

Para o marxismo, a felicidade estaria relacionada com os proventos materiais do trabalho. Para o Espiritismo e algumas doutrinas espiritualistas, a felicidade iria além dos proventos materiais, pois implicaria também a evolução espiritual do ser. Dessa forma, ao produzir um bem, deveríamos ver se tem utilidade para a sociedade, depois produzi-lo o mais perfeitamente possível. Exemplo: se tivermos de escrever uma carta, escrevamo-la o mais perfeitamente possível.

Lembremo-nos de que entre os trabalhos, o mais difícil é o trabalho interior, ou seja, o trabalho de reformulação de nossos hábitos e atitudes negativos. Assim, os nossos maiores esforços deveriam ser direcionados para esse mister, pois é o único bem que nenhum ladrão nos roubará. Importa metermos mão à obra.

Fonte de Consulta

SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. Ed., São Paulo, Editora Matese, 1965.

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. São Paulo, FEESP, 1972.

São Paulo, 17/07/1996
Apresentação em PowerPoint

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