08 julho 2008

Revelação: Humana e Divina

Revelação – De modo geral, é a manifestação de uma verdade oculta ou desconhecida ou pelo menos obscura. Na teologia, é o ato pelo qual Deus manifesta aos homens o Seu desígnio de salvação e Se lhes dá a conhecer.

A revelação pode ser humana e divina. É divina quando feita por Deus; humana quando o é pelo homem. A revelação divina pode ser natural ou sobrenatural. A revelação natural está inscrita na própria ordem da criação, em que Deus dota o homem de faculdades para elevar-se do domínio das coisas visíveis ao das invisíveis. No entanto, como faz parte da natureza, não é esta a revelação em sentido próprio. A revelação divina, propriamente dita, é de ordem sobrenatural. Consiste na manifestação de uma verdade, feita por Deus, fora da ordem da natureza.

A revelação está encarnada no Velho e no Novo Testamento. No Velho Testamento, não há um termo específico para designar a revelação. Há, sim, intermediários da revelação, que são: Moisés, os profetas, os salmistas e os sábios. No Novo Testamento, os termos para indicar a revelação são: keryssein ("anunciar", "pregar"), evangelizesthai ("evangelizar"), didaskein ("ensinar"), apokalyptein ("revelar") e matheteúein ("fazer discípulos", "instruir"). No Novo Testamento, Cristo é o único Mediador propriamente dito da revelação. Os apóstolos são meros divulgadores, evangelizadores, mas não reveladores.

Teologicamente, as revelações são arbitradas nos concílios. Observe que no Concílio de Trento, a revelação é o anúncio do Evangelho prometido aos profetas, pregado pelos apóstolos, e transmitido à Igreja para que ela o conserve em toda a sua pureza. O Concílio Vaticano II, por sua vez, consagrou à revelação o cap. I da Constituição dogmática Dei Verbum: a) a revelação é um diálogo interpessoal entre Deus e os homens; b) a revelação é progressiva; c) a revelação é constituída por acontecimentos e palavras; d) Cristo é o vértice da revelação.

A Bíblia não é a fonte única de revelação. A Igreja é o órgão autêntico instituído por Deus e encarregado de propagar o depósito da revelação. As verdades transmitidas pela igreja constituem a tradição. Todavia, é certo que a revelação pública se encerrou com a pregação dos apóstolos. A partir daí, permaneceu substancialmente a mesma e não se transformou. As verdades reveladas só podem desenvolver-se no decurso do tempo sob a ação do Espírito Santo, passando do estado implícito ao estado explícito.

O domínio de uma teoria não elimina a possibilidade de Deus querer revelar-se a outros credos religiosos. Por isso, acreditamos, a Igreja deve revisar o monopólio de uma revelação particular.

Fonte de Consulta

Verbo — Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura
Grande Enciclopédia Brasileira e Portuguesa
São Paulo, 26/08/1998

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