21 julho 2008

Justiça Humana e Justiça Divina

Justiça – do lat. justitia – é a virtude moral que faz que se dê a cada um o que lhe pertence e que se respeitem os direitos alheios. Justiça humana - é o conjunto de meios administrativos organizados pelas sociedades humanas para aplicação das leis que estabeleceram, e especialmente para julgar e castigar os delitos contra elas cometidos. Justiça divina – é o atributo de Deus segundo o qual Ele regula todas as coisas com igualdade.

O Universo é regulado por leis: Lei do Progresso, Lei do Trabalho, Lei de Adoração etc. Dentre tais leis, há a Lei de Justiça, Amor e Caridade, que resume todas as outras por ser a mais importante. Essa lei ensina-nos a usar a justiça na sua acepção mais pura, tendo como coadjuvantes o amor e a caridade. A justiça é fria, mas o amor e a caridade lhe dão um impulso superior e generoso, espontâneo e transbordante.

Todos nós fomos criados simples e ignorantes. À medida que vamos nos tornando responsáveis pelos nossos atos, os benfeitores espirituais vão, paulatinamente, deixando-nos ao sabor de nosso livre-arbítrio. O livre-arbítrio, que é a faculdade de optar entre o bem e o mal, muitas vezes enchafurda-se nas paixões. Estas, quando não são domadas pela razão, alteram o reto juízo e desviam-nos da prática do bem.

A justiça divina é a justiça perfeita. Porém, dada a limitação humana, o homem capta apenas alguns matizes dessa justiça maior. Por isso, o Direito da Idade Média difere substancialmente do Direito contemporâneo. É que o tempo transcorrido propiciou a mudança dos hábitos e dos costumes de todos os povos. Assim, a lei humana deve regular as ações dentro de um horizonte cultural, enquanto a lei divina extrapola-a, segundo a dimensão do Direito Divino. Situarmo-nos sempre entre o que é e o que deveria ser é o método mais eficaz para sedimentarmos a justiça divina.

As reencarnações aproximam a justiça humana da justiça divina. Tendo em mente que a Lei do Progresso é inexorável, não resta dúvida que devemos melhorar o nosso senso de justiça, pois é a justiça que regula todas as outras virtudes, tais como a temperança, a prudência, a fortaleza e os seus derivados. O exercício de fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem encaminha-nos para a prática da verdadeira lei de justiça, amor e caridade. Porque, se é natural que desejemos o bem para nós, o mesmo devemos fazer com relação ao próximo.

A aquisição do reto juízo é a finalidade da vida. Esforcemo-nos por compreender o nosso próximo, fazendo-lhe o maior bem possível. Só assim vamos domando nossas paixões e liberando o ser cósmico que há dentro de nós.

São Paulo, 17/04/1996




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