01 julho 2008

Existencialismo e Espiritismo

Existencialismo - Aplica-se esse nome às idéias filosóficas de Heidegger, Kierkegaard, Sartre e outros. Caracteriza-se pela negação do abstracionismo racional de Hegel. Para Kierkegaard, por exemplo, um sistema lógico de idéias não alcança a existência, o individual. Faz abstração deste, tem por objetivo as essências, os possíveis, e não o existente, o indivíduo, que não se explica, não se deduz, nem se demonstra.

As concepções de existência e de essência auxiliam-nos a compreender o tema. A existência vem de ex-sistência (estar aí, ex, fora das causas), o que se acha na coisa, in re. Existência é o fato de ser da essência. Difere da essência, pois, a existência consiste no fato de ser da essência. A essência, por outro lado, é o "fundo" do ser, metafisicamente considerado.

A base do existencialismo está na discussão do possível. Para Sartre: "A existência precede a essência". É a tese da impossibilidade do possível. Ele retoma a fórmula de Lequier: "Fazer e, ao fazer, fazer-se". É a expressão metafísica da crença na liberdade absoluta segundo a qual o ser vivo e pensante faz a si mesmo tanto quanto lho permitem certas determinações já tomadas. Além do exposto, Abbagnano acrescenta o grupo da necessidade do possível e o grupo da possibilidade do possível.

O existencialismo espírita aproxima-se da possibilidade do possível. De acordo com os princípios codificados por Allan Kardec, a essência (possível) é o princípio inteligente (Espírito na fase humana), que se atualiza em cada existência. O elo de ligação é a reencarnação, em que se processa a união da essência ao corpo físico, através do perispírito. O ir-e-vir dá consistência à essência, deixando-a cada vez mais purificada.

A mediunidade apresenta-se, também, como ponto de ligação entre a essência e a existência. Por intermédio dela, as essências, fora da existência, podem se comunicar com as essências, na existência. Prova-se, assim, que a essência não só precede a existência, como continua depois de ter estagiado na existência. Nesse sentido, o verdadeiro mundo é o mundo das essências, ou seja, o mundo espiritual.

O existencialismo espírita é como um projétil do ser, que passa por esta existência, rumo à perfeição da essência.

Fonte de Consulta

SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed., São Paulo, Editora Matese, 1965.
PIRES, J. H.. Introdução à Filosofia Espírita. 1.ed., São Paulo, Paideia, l983.
São Paulo, 20/02/1996
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Um comentário:

Marcos Vinícius Almeida disse...

Na verdade sua interpretacao sobre a relacao entre existencialismo e expiritismo eh um pouco equivoca.
"O a existencia precede a essencia", estaria mais adequado no fato de que os espiritos sao criados ignorantes, sem conhecimento a priori, e inacabados, no sentido de que naum sao feitos prontos, nao possuem naum pre disposicao ao bem nem ao mal, Kardec nos fala que temos o livre-arbritio, nos construismos conforme nossos atos, Sartre fala de liberdade e responsabilidade enquanto possibilidade de assumir o proprio destino, conformer o agir. Na verdade, o correto eh transcender a nossa de existencia para o nivel esperitual, existencia enquanto conciencia individual de si, e dessa forma, somos responsaveis por nosso caminho nas varias "encarnacoes".A essencia, portanto, naum seria sinonimo de "alma", enquanto aquilo que anima a materia, mas sinonimo de "identidade", daquilo que nos define naquilo que somos, que nos fazemos.Desta forma, as varias vidas seriam como os anos da sao para nossa vida materialmente constituida. Porem surge um problema. Em Sarte, a essencia, a identidade, paradoxalmente, se realiza e destroi na morte, eh passa a existir enquanto coisa acaba por intermedio da consciencia alheia, na memoria dos outros. Em kardec, atigimos a suma perfeicao. E e esse problema soh poderia ser solucionado, se essa suma perfeicao for entendida como uma fusao com Deus, Universo no sentido de perda do limite individual da nossa essencia. Deste modo, haviria sim uma especie de compatibilidade.