03 julho 2008

Ver as Mesmas Coisas com Outros Olhos

"O olho do filósofo e o olho do soberano vêem de maneira bem diversa".
Diderot

Dispomo-nos a observar o fato ou estamos mais presos à sua interpretação? É possível lançarmos um outro olhar sobre os objetos que vemos todos os dias? Como? Há alguma fórmula mágica? Eis algumas questões para o início desta reflexão. Para vermos as coisas como elas são, devemos nos libertar dos preconceitos, da ilusão e de outros desvios da percepção. O que, convenhamos, não é tarefa fácil.

A percepção é uma atividade do espírito que organiza os dados sensoriais pelo qual conhecemos a "presença atual de um objeto exterior". Ela, porém, está eivada de distorção, em que vemos as pessoas de uma forma bem diferente do que elas são, ou daquela como estas nos são objetivamente apresentadas. Podemos, assim, incorrer nos seguintes erros: estereotipagem, efeito halo e expectativa. Na estereotipagem, aplicamos a impressão padronizada do grupo a uma pessoa; no efeito halo, deixamos que a característica de um indivíduo encubra a do grupo; na expectativa, "vemos" e "ouvimos" o que queremos ouvir e não o que realmente está acontecendo.

A ilusão e a auto-ilusão dificultam sobremaneira a observação dos fatos. Na ilusão, há uma falsa aparência tomada por uma percepção exata. Exemplo: coloquemos uma vareta num recipiente com água. Temos a impressão que a vareta fica torta. Mas, sabemos perfeitamente que ela é reta. Na auto-ilusão, há uma errônea interpretação da realidade. Pode-se, inclusive, influenciar o consciente coletivo do grupo. Na auto-ilusão, ignoramos as conseqüências de nossos atos. Perdemos até a noção do ridículo.

O preconceito, que é a fixação de um juízo anterior à análise objetiva da realidade, é outro fator de deturpação da realidade. Ele atinge, desfavoravelmente, pessoas, idéias, instituições ou objetos. O preconceito impede-nos de ver os outros como eles realmente são. Imaginemos um transeunte qualquer. De acordo com os seus trajes, a sua fala, o seu modo de ser, tiramos uma conclusão apressada. Ele é mendigo, ele é doutor, ele é delinquente etc.

Um exemplo prático: o consumo que vemos e a destruição que não vemos. Comprar isto em vez daquilo tem enorme impacto sobre o planeta. Presentemente, há indícios de um aquecimento global, da erosão do solo, da diminuição das áreas florestais e das pastagens que se transformam em desertos. Há movimentos, tipo green peace, alertando-nos para essa destruição, mas continuamos com os nossos velhos hábitos.

A nossa visão de mundo pode ser sempre melhorada. Basta apenas aguçarmos a nossa percepção, que é, em última análise, a correta interpretação dos fatos apresentados aos nossos olhos.



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