03 julho 2008

O Tempo Julga Tudo

O tempo é um elemento que segundo Santo Agostinho é fácil de saber, mas difícil de explicar. Observe que a própria dimensão do tempo no Cristianismo tem a conotação de eternidade. Deus criou o tempo, quando criou o mundo. Fê-lo a partir do nada, mas enviou o seu filho para restaurar o tempo e levar todos os crentes para além do tempo, ou seja para a eternidade.

A questão de que o tempo tudo julga está relacionada com a noção de carma, de ação e reação, da lei de causa efeito, do juízo final etc. Quer dizer, desencadeada uma ação, esta fica registrada no cosmo e, mais tempo ou menos tempo, teremos de responder por ela, seja boa ou má. Por isso, diz-se que o acaso não existe, ou seja, cada um está colocado no devido lugar, colhendo os frutos daquilo que livremente semeou.

A distinção entre presente, passado e futuro nem sempre é fácil de ser vista. Hoje podemos estar numa situação desesperadora. Em vista disso, perguntamos: por que me encontro assim? Por que não estou numa situação melhor? O que eu fiz de errado? Depois destas questões, começamos a culpar o presente, e dizemos: Deus não cuida de mim; estou abandonado; tudo que faço dá errado; e assim por diante. Mas o que é o presente? Ele não é a condensação do que fizemos no passado? Ele não é a antecipação do que poderemos ser no futuro? Talvez devêssemos ver os nossos dias com mais atenção.

O tempo tudo julga pode ser relacionado com a morte. Por quê? A morte é o término de um estágio no plano da carne, em que somos obrigados a fazer uma reflexão mais acurada da nossa existência. No momento da morte, não nos perguntarão o que lemos, os bens que amontoamos, a riqueza que tínhamos, mas simplesmente o que estamos levando em nossa bagagem espiritual, ou seja, as qualidades morais, os conhecimentos, a prática do bem. Por isso, as advertências do Evangelho são elucidativas, pois não há uma única ação, por mínima que seja, que não será levada em conta no dia do "juízo final".

Além de tudo, o "tempo tudo julga" mostra que a justiça divina tarda mas não falha. No momento do julgamento de nossas ações, seremos recompensados pelo bem que tivermos feito, e repreendidos pelo mal que conscientemente tivermos praticado. Se hoje estamos infringindo a lei divina, prejudicando o nosso próximo, é de se esperar que teremos de sofrer as conseqüências dos nossos atos. Desta forma, é melhor começar a fazer o bem já, preparando-nos para uma vida mais saudável, no futuro.

Instruamo-nos no bem e na verdade para não termos surpresas ao voltarmos ao nosso verdadeiro mundo, ou seja, o mundo dos Espíritos.

São Paulo, 07/07/1997.

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