08 julho 2008

Revelação na Bíblia

Revelação – Revelar, do latim revelare, cuja raiz, velum, véu, significa literalmente sair de sob o véu — e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida. A revelação pode ser humana e divina. É humana quando o próprio homem busca os conhecimentos superiores. É divina quando Deus se revela ao homem. Em sentido estrito das revelações religiosas, elas sempre procedem de Deus, porque longe está o homem de penetrar os mistérios da divindade: ainda lhe falta uma faculdade.

As revelações orientais, alicerçadas nos sonhos e nas adivinhações, não chegam a constituir revelações propriamente ditas. O Budismo, por exemplo, não recorre de modo algum à revelação: tem como ponto de partida a iluminação inteiramente humana de um sábio. Outras apresentam o seu conteúdo como uma revelação celeste, mas atribuindo sua transmissão a um fundador legendário ou mítico, como Hermes Trimegisto no caso da gnose hermética. Na Bíblia, ao contrário, a revelação é um fato histórico, em que os seus intermediários são conhecidos: Moisés e Jesus Cristo.

Deus, no Velho Testamento, revela-se aos profetas, através de sonhos e visões. A palavra de Deus estabelece uma aliança, aliança que conota uma mudança comportamental do povo de Israel. Dentre os profetas, Moisés foi o escolhido para receber a tábua dos Dez Mandamentos, leis divinas que varam os anos da história e continuam ainda vivas, para auxiliar o ser humano na busca da perfeição. Moisés, contudo, devido à dureza dos corações de seu povo, fez do Deus de bondade um Deus que pune e castiga sem piedade.

A revelação do Novo Testamento consubstancia-se exclusivamente em Jesus Cristo. Jesus é o Mediador, o arauto, o comunicador; Ele nos fala das bem-aventuranças, do Reino dos céus e da vida futura. A sua pedagogia era alicerçada nas parábolas, estórias que contava sobre a vida comum, com o intuito de sugerir, além desse sentido imediato, uma lição moral. Os termos usados para indicar a revelação de Jesus são: keryssein ("anunciar", "pregar"), evangelizesthai ("evangelizar"), didaskein ("ensinar"), apokalyptein ("revelar") e matheteúein ("fazer discípulos", "instruir").

Entre os Apóstolos, a revelação se deu em menor grau. Eles não foram caracterizados como reveladores, mas propagadores da Doutrina cristã, pois havia necessidade de se expandir os ensinamentos cristãos para os quatro cantos do mundo. Dentre os seguidores de Cristo, Paulo de Tarso exerceu papel relevante, principalmente depois de sua queda em Damasco: de perseguidor ferrenho dos cristãos transformou-se no maior divulgador do cristianismo. O Apocalipse de João, recebido na Ilha de Patmos, também merece destaque: lá estão os avisos sobre o arrebatamento em Cristo no final dos tempos.

Moisés começou a revelação; Cristo e os Apóstolos deram-lhe continuidade. Presentemente, o trabalho passa a ser nosso. Esforcemo-nos, pois, para que a divulgação da revelação divina possa atingir eficazmente o maior número de mentes e corações.

Fonte de Consulta

GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.]
São Paulo, 17/11/2004

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