01 julho 2008

Teoria do Conhecimento e Espiritismo

A Filosofia, depois que se desprendeu do tronco geral do conhecimento ficou, na atualidade, dividida em três partes fundamentais: a Ontologia ou teoria do ser, a Gnosiologia ou teoria do conhecimento e a Axiologia ou teoria dos valores. A teoria do conhecimento, objeto de nossa atenção, procura estudar a origem e a validade do conhecimento, inclusive distinguindo a verdade e o erro.

O conhecimento é a relação que existe entre o "observador" e a "coisa observada". A realidade é o que é. Ela não é falsa nem verdadeira. Verdadeiros ou falsos são os nossos juízos acerca da mesma. Se a imagem que fazemos de um objeto coincide com o que ele é, estamos de posse da verdade; se, ao contrário, houve um viés, estamos em erro. Assim sendo, é muito mais importante a imagem que fazemos do objeto do que ele próprio.

Como é que o conhecedor conhece? Conhece pelo Espírito? Ou conhece pelo sentido? Embora Aristóteles tenha dado sua contribuição a essa contradição, quando elaborou a teoria dos dois espíritos do homem - formativo e receptivo -, ainda persiste muitas dúvidas. Para os materialistas, conhecemos pelos sentidos; para os idealistas, conhecemos pelo espírito.

Para o Espiritismo essa dualidade de Espírito e Matéria não existe. O homem é essencialmente um Espírito. Nesse sentido, o Espírito é a substância do homem e o corpo seu acidente. A percepção é uma faculdade do Espírito e não do corpo físico. O Espírito não percebe através dos órgãos, não vê pelos olhos nem ouve pelos ouvidos. Vê e ouve por todo o seu ser.

Como vemos há a percepção objetiva que estabelece a relação sujeito-objeto, e a percepção subjetiva, que faz do sujeito o seu próprio objeto. Isto quer dizer que há ciência e filosofia. Não há, assim, uma separação total entre ciência e Filosofia. É justamente esse viés do pensamento que divide o mundo em duas partes: numa o pensamento materialista como ideologia oficial dos Estados; noutra o pensamento espiritualista na mesma posição. A Filosofia Espírita coloca-se entre ambas e oferece-nos a síntese, no sentido de compreender a realidade como um todo.

A convicção de que somos um todo formado por Espírito, Perispírito e Corpo Físico, auxilia-nos sobremaneira na construção dos conhecimentos verdadeiros que nem a traça e nem a ferrugem desgastam.

Fonte de Consulta

BAZARIAN, J.. O Problema da Verdade. São Paulo, Círculo do Livro, s/d.
PIRES, J. H.. Introdução à Filosofia Espírita. 1.ed., São Paulo, Paideia, l983.

São Paulo, 22/07/1996

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