02 julho 2008

Milagres

Os milagres podem ser vistos de diversas formas. No entender das massas, é um fato extranatural. Em teologia, é uma derrogação das Leis Naturais por meio do qual Deus manifesta o seu poder. Segundo o Espiritismo, o milagre é sempre o coroamento, mas nunca derrogação das Leis Naturais, que funcionam igualmente, para todos. É a designação de fatos naturais cujo mecanismo familiar à Lei Divina ainda se encontra defeso ao entendimento fragmentário da criatura.

Na antiguidade clássica grega, o milagre significava um fato excepcional ou inexplicável, considerado como sinal da vontade divina. Esta ideia predominou na Idade Média. São Tomás de Aquino, por sua vez, enfatizava que o milagre é aquilo que excede a faculdade da natureza, cujo objetivo é a manifestação de algo sobrenatural. Quando se começa a insistir na ordem necessária da natureza, principalmente com o aparecimento da ciência moderna, o milagre passou a ser uma "exceção" a essa ordem. Hume, inclusive, chegou a afirmar que "O milagre é uma violação das leis da natureza".

O sobrenatural é a palavra-chave no estudo dos milagres. O sobrenatural é o que acontece na natureza, mas não decorre das forças da natureza, de modo que não pode ser explicado com base nela. Para a teologia, o milagre é sinal de aparecimento de uma nova ordem no mundo – a ordem sobrenatural da salvação. No Velho Testamento, Deus dá este "sinal" ao povo de Israel; no Novo Testamento, Jesus Cristo é o próprio arauto da salvação. Todos os milagres, realizados por Jesus, nada mais são do que um prolongamento desse milagre inicial, que foi a vinda do Cristo ao mundo.

Para o Espiritismo, os milagres decorrem de uma falsa interpretação das Leis Naturais. Um estudo acurado dos fluidos esclarece-nos a questão. De acordo com Allan Kardec, há os fluidos emanados dos Espíritos (magnetismo espiritual), os fluidos do magnetizador (magnetismo humano) e uma interpenetração de ambos (magnetismo misto, semi-espiritual ou humano-espiritual). Com isso, explicamos o mecanismo das curas, das aparições e de tantos outros milagres que ocorreram ao longo do tempo.

Examinemos alguns desses milagres à luz da Doutrina Espírita: 1) A pesca miraculosa. Jesus não produziu peixes onde não os havia; foi a sua dupla vista que encaminhou a rede para o local dos peixes; 2) a cura da mulher que sofria de hemorragia. A virtude que saíra de Jesus é a propagação do seu magnetismo curador; 3) o cego de nascença. A lama feita de saliva e terra não valeria nada se não fosse impregnada do fluido curador de Jesus; 4) Jesus caminha sobre as águas. Para este caso, há duas explicações: 1) Jesus, estando alhures, mostra-se com o seu corpo fluídico; 2) um caso simples de levitação.

O conhecimento dos princípios fundamentais do Espiritismo descortina-nos novos horizontes. Vimos que o sobrenatural, tão alardeado pela crença religiosa, nada mais é do que uma falsa interpretação da Lei Natural.

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