02 julho 2008

Mais-Além

Mais-além é o mesmo que depois da morte, além-túmulo, vida futura. É o que se nos espera depois que este miserável corpo for para a tumba. De acordo com o Espiritismo, é o verdadeiro mundo, sendo este apenas transitório. Em Espanhol, diz-se más allá; em inglês, afterdeath.

Desde tempos remotos, o problema da sobrevivência da alma ocupa a mente dos religiosos, dos filósofos e da maioria dos seres humanos. E não são poucos os que se expressaram a respeito do tema: Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, Kant etc. A importância do assunto é tão grande, que chegou a despertar o interesse dos psicólogos pelos casos de pacientes terminais. Eles fazem entrevistas com os moribundos para saber o que essas pessoas pensam a respeito do que há de vir.

Os egípcios, com o embalsamamento dos cadáveres, especialmente os dos faraós, o hinduísmo com a necessidade da metempsicose, o budismo chinês, com o Nirvana, deram, cada um a seu tempo, grandes contribuições para o entendimento da imortalidade da alma. Foi, porém, com o Cristianismo, que a vida futura se consolidou plenamente. Jesus, ao falar das bem-aventuranças e das recompensas prometidas ao servo fiel, colocou todos os seres humanos num mesmo nível de salvação e eternidade na posse de Deus. Os bárbaros e os escravos foram admitidos no reino de Deus, o que representou uma verdadeira evolução espiritual.

Platão, com a teoria das formas, Aristóteles, com a sua razão criadora, Santo Agostinho, com a crença na eternidade da alma, Santo Tomás de Aquino, com a doutrina de que a alma humana foi criada por Deus, Kant, com a tese de que embora não possamos provar a existência de uma alma imortal, podemos agir como se existisse, porquanto vale realmente fazê-lo, deram, também, os seus contributos para a compreensão do tema. A filosofia evolucionista do séc. XIX, por seu turno, nega a imortalidade. De acordo com essas concepções, a vida mental do homem está tão estreitamente ligada ao cérebro e tão dependente dele, que se torna inacreditável a continuação das funções intelectuais depois da decomposição do corpo.

Em se tratando de vida futura, Allan Kardec nos ensina que o Espírito, criado simples e ignorante, é imortal. Ou seja, teve início, mas não terá fim. A imortalidade dá ao Espírito a garantia de alcançar a perfeição. Como não consegue atingi-la em uma única vida, são necessárias diversas existências, por isso a reencarnação. A doutrina da reencarnação é a que prescreve as várias idas e vindas do Espírito. É através dela que o Espírito vai lapidando as suas impurezas até se tornar um Espírito puro e poder habitar mundos mais evoluídos.

Vivamos cada momento como se fôssemos viver eternamente; esta é a melhor forma de nos prepararmos para a vida de além-túmulo.

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