02 julho 2008

Messianismo

Messianismo - teoria da expectação ou da esperança num Messias salvador e redentor da Humanidade, considerada em estados ou de degradação ou de queda ou de perdição, após cuja vinda essa mesma Humanidade recupera, regenera, restaura ou redescobre o estado de felicidade. O termo messianismo toma diferentes significados, dependendo do aspecto cultural e religioso no qual está inserido, mas sempre manifestando a proposta para a cura do que está mal.

O messianismo hebraico, consoante a evolução do povo de David, é real, profético e sacerdotal, mas a ideia nuclear, ainda que o nome messias pouco aparece no Antigo Testamento, revela a tipologia de um rei-sacerdote que virá no fim dos tempos para instaurar o amor, a justiça, a unidade e a paz. A sua figura é absorvente nos livros históricos poéticos e sapienciais, sendo-nos revelado como Rei Messias (Jer., 30, 9), Servo Sofredor (Isaías, 53,1) e Filho do Homem (Dan., 7,13).

Para a modernidade evangélica, esses cognomes são atribuídos a Cristo, o verdadeiro Messias já vindo. O termo Messias é de origem hebraica. Deriva do aramaico Meshihà, pelo hebraico Hammashiab (o Ungido), pelos gregos traduzido no nome Christós. A raiz do nome é meshab (=ungir), verbo com que se designava a unção sacerdotal, profética e régia. Essa atribuição é causa de cisão com o Messianismo hebraico, na medida em que o Cristo veio contrariar o tradicionalismo judaico.

A filosofia política, quando visa o Reino, a República, o Estado Perfeito, situa-se na esfera messianológica em acepção ampliada. Observe a República de Platão, a Política de Aristóteles, a Utopia de Thomas More, a Cidade do Sol de Campanella. Além disso, há os múltiplos tratados sobre a cidade cristã, desde de Cevitate Dei, de Santo Agostinho, à da Instituição Real, de Jerônimo Osório. Todos imbuídos do afã de atingir uma sociedade perfeita, onde o mal seria banido de nosso planeta.

Os "enviados", os "mensageiros celestes" e os "homens escolhidos" têm muito a ver com a caracterologia messiânica. Surgem, assim, no seio da sociedade os diversos ungidos propagadores da nova moral, visando sempre a salvação da alma. Surgem diversas lendas em que os cognomes régios — Príncipe Perfeito, o Desejado — que visam transferir para simples humanos caracteres de perfeição messiânica, com se o encoberto fosse já desoculto.

Eis um resumo dos vários aspectos que uma mesma palavra pode alcançar nas várias vivências de nossa existência. (Muita coisa copiada).

Fonte de Consulta

POLIS - Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado. Lisboa/São Paulo, Verbo, 1986.
São Paulo, 17/06/1998

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