01 julho 2008

Amor

Amor é um vocábulo polissêmico, ou seja, suscetível de diversas definições. Por isso, diz-se que o amor não é definível, visto encerrar uma vastíssima escala de genitivos e de nominativos. Concede-se, porém, algumas aproximações, na maioria das vezes distantes do conteúdo amplo que o termo encerra. 

A concepção do amor está centrada nas raízes greco-romanas. Na sua forma helênica - sobretudo platônica e neoplatônica - o amor assenta-se em dois pressupostos: 1.º) que o mundo é eterno e não criado; 2.º) que amar implica o conhecer e o conhecer implica o amar. Na sua forma judeu-cristã, o amor não partirá do mundo nem do homem, mas de Deus, Transcendência absoluta. Fundado no amor divino, o amor humano será pluridirecional e pluridimensional, será ativo e será histórico, será concreto e terá na imitação do próprio Deus, designadamente através de Cristo – imitatio Christi – o seu grande motor. 
O amor manifesta-se entre todos os mortais. Até o mais rude de todos os seres humanos ama, porque a lei do amor é uma lei da natureza. Acontece, porém, que há várias maneiras de amar, o que muitos de nós acaba confundindo com o egoísmo. Nesse sentido, o amor filial, o amor paternal, o amor conjugal pode transformar-se no amor posse, no amor paixão. O verdadeiro amor liberta o ser que ama. 

Platão, na Antiguidade clássica, distinguia o amor sensível do amor não sensível. O termo amor platônico liga-se a essa ideia. Hoje temos dificuldade de amar, sem as influências do prazer sexual. Os meios de comunicação agem tão intensamente sobre a sexualidade que mal conseguimos vislumbrar as intuições do amor verdadeiro. Mas dia virá em que teremos de nos libertar das sensações da carne.

A lei do amor apregoada no
 Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, estimula-nos a sair do mundo das sombras para penetrarmos o mundo das ideias, das luzes e da sabedoria. Faz-nos ver que devemos sublimar os instintos materiais, transformando-os em sentimentos puros de amor. Além disso, transportar-nos para mundos felizes e celestiais, onde o bem predomina e a fraternidade é o farol luminoso de todas as nossas ações junto aos semelhantes.

Desapeguemos-nos dos instintos inferiores do Espírito e deixemo-nos mergulhar nesse sol interior, repetindo as palavras de João, o Evangelista: " meus filhinhos, amai-vos uns aos outros".

Fonte de Consulta

LOGOS - ENCICLOPÉDIA LUSO BRASILEIRA DE FILOSOFIA

São Paulo, 09/04/1997

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