01 julho 2008

As Religiões, a Bíblia e o Espiritismo

Do ponto de vista social, as religiões são sistemas de símbolos, dependentes de um fundador, que teve a experiência religiosa original com modalidade própria. Esse sistema organizado de símbolos, ligado à tradição, contribui para que os indivíduos concretos adotem atitude religiosa pessoal. Desde a mais alta Antiguidade a apresentação externa do símbolo vem se modificando, mas, muitas vezes, o conteúdo intrínseco continua o mesmo, ou seja, apenas transferimos os valores que eram próprios do Totemismo, do Fetichismo, e do Animismo para a época moderna: instituímos tabus, adoramos os santos e seguimos cegamente as determinações de um líder religioso.

A Bíblia, considerado um livro sagrado pelo judaísmo, mostra que a palavra de Deus fez-se presente em toda a história do povo judeu. Os profetas são os portadores da revelação divina. Moisés, por exemplo, recebe diretamente de Deus os Dez Mandamentos. A leitura da Bíblia não deve ficar só na letra; precisamos penetrar no seu sentido mais profundo, analisando-a com racionalidade e imparcialidade.

As religiões históricas, imbuídas de interesses materiais, confundem os meios com os fins. Visando a recompensa imediata, prometem curas, milagres e salvação gratuita. Do lado doutrinário, prendem seus adeptos aos dogmas preestabelecidos, impedindo-os de se salvarem em outras crenças. É de se estranhar que as religiões, cujo objetivo central é a libertação do homem, acabam transformando-no num ser amorfo e desprovido do espírito crítico.

O Sincretismo religioso é um produto da união de várias crenças religiosas. No Brasil, a Umbanda tornou-se a única religião genuinamente brasileira, visto trazer em seu bojo elementos da crença indígena, da crença africana, da crença católica, e, em alguns casos, da crença espírita. A pouca racionalização do sagrado é o traço característico deste universo de valores.

O Espiritismo, embora não tendo um caráter estritamente religioso, pois é entendido como uma ciência filosófica de consequências morais, auxilia-nos a compreender tanto a Bíblia como as demais religiões. A Bíblia é interpretada figuradamente. Com relação a Moisés, fica claro que ele não recebeu os Dez Mandamentos diretamente de Deus; ele simplesmente foi médium de Espíritos superiores, que transmitiram tais revelações. De modo que o sobrenatural e o fantasioso deixam de ter sentido, para que a razão seja o elemento mais importante no processo de aquisição de conhecimento.

Aproveitemos os escritos de Allan Kardec. Há neles um manancial de sabedoria que é preciso aprofundar, a fim de extrair o suco saboroso do entendimento espiritual.

Fonte de Consulta

IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo, Edições Paulinas, 1983.

São Paulo, 10/10/1996.

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