01 julho 2008

Sexo, Amor e Espiritismo

O estudo do princípio inteligente é ponto central para a compreensão do sexo e do amor à luz do Espiritismo. De acordo com o Espírito André Luiz, em Evolução em Dois Mundos, o princípio inteligente estagiou milênios e milênios no reino vegetal e outro tanto no reino animal. Alternando-se entre o hermafroditismo e a unissexualidade, o instinto sexual evolui, nesses reinos inferiores, até atingir a reprodução sexuada no reino hominal.

A análise do instinto sexual leva-nos à reflexão sobre o sexo nos Espíritos. Na pergunta 200 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec indaga se os Espíritos têm sexo. Os próprios Espíritos respondem que os sexos dependem da constituição orgânica e, que entre eles há amor e simpatia, baseados na afinidade de sentimentos. Deduz-se do exposto, que o instinto sexual é originariamente mental, ou seja, a sede real do sexo não se acha no veículo físico, mas sim na entidade espiritual.

O sexo, muitas vezes, é tomado como sinônimo de amor. O amor é muito mais amplo, pois representa a totalidade dos sentimentos e desejos que estruturam as nossas ações para a produção do bem. É como aquele sol ardente que fecunda e reúne em um único foco todas as aspirações humanas e sobre humanas. O amor não reclama, não exige, não se apodera. Quem verdadeiramente ama está sempre pronto a doar-se, a renunciar aos seus desejos e até à sua própria personalidade se as circunstâncias assim o exigirem.

O instinto sexual liga-se à co-criação. A co-criação é um direcionamento das forças sexuais da alma para um determinado fim. Quanto mais animalizado for o Espírito, mais tenderá para os gozos sensíveis. Por outro lado, conforme for depurando o instinto sexual, mais tenderá para a sua integração com a Humanidade. Nesse "status quo" o amor assume dimensões mais elevadas tanto para os que se verticalizam na virtude como para os que se horizontalizam na inteligência.

Amor e sexo fazem parte da Lei Natural. Refletindo sobre cada uma das suas dez partes, daremos melhor embasamento às nossas ações: evitaremos as diversas obsessões que assolam o planeta, principalmente as de origem sexual. Assim sendo, convém lembrar que o sexo é o alimento das almas, e que não lesamos ninguém sem lesarmos a nós mesmos. Por isso, toda troca de carga erótica deve ser feita com muita responsabilidade.

Sublimemos o instinto sexual, dilatando o amor ao infinito. Mantendo-nos firmes neste propósito, verticalizaremos substancialmente as virtudes de nossa alma.

Fonte de Consulta

XAVIER, F. C. e VIEIRA, W. Evolução em Dois Mundos, pelo Espírito André Luiz, 4. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.
São Paulo, 12/02/1996
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