30 junho 2008

Textos de Espiritismo











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18 de Abril, Dia Nacional do Espiritismo
Aborto, O
Ação e Eficácia da Prece
Ação e Reação
Adoção e Espiritismo
Agêneres
Ajuda-te que o Céu te Ajudará
Alberto Nogueira e o Compromisso Esquecido
Alcoolismo e Espiritismo
Allan Kardec e o Livro dos Espíritos
Allan Kardec Está Ultrapassado?
Allan Kardec: Nova Luz para a Humanidade
Alma e a Imortalidade, A
Alma, Princípio Vital e Fluido Vital
Alternativas da Humanidade com Relação ao Mundo Espiritual
Amai-vos e Instruí-vos
Amar ao Próximo como a Si Mesmo
Amor e Ódio
Amor, Frustração e Humildade (Jornal)
Anencefalia
Angústia e Espiritismo
Animais, Os
Animismo e Espiritismo
Ano-Novo, Vida Nova
Ansiedade, Psicologia e Espiritismo
Antagonismo
Ante o Objetivo
Aparições, Fantasmas e Assombrações
Apocalipse de João
Apometria
Apóstolo Paulo: O Brado da Imortalidade
Apóstolos, Os
Argueiro e a Trave, O
Arigó e a Mediunidade
Aristocracias
Assimilação de Correntes Mentais
Assistência Espiritual: Palestra A2
Astrologia
Astronomia
Atenção e Concentração
Atenção e Êxtase
Atitude e Comportamento
Atlântida
Áudio: Palestras Espíritas
Áudio: Textos Espíritas
Aura
Automatismo e Herança
Avenina Tonetti Gregório (17/12/1920-21/01/2022)
Avenina Tonetti Gregório: 101 Anos de Existência (1920-2022) [Livro]

Bem e Mal Sofrer
Bem e o Mal, O
Bem e o Mal, O [Capítulo III de "A Gênese]
Bem-Aventurança
Bem-Aventurados os Aflitos
Bem-Aventurados os Mansos e Pacíficos
Bem-Aventurados os Misericordiosos
Bem-Aventurados os Puros de Coração
Benefícios do Esquecimento do Passado
Bicorporeidade e Transfiguração
Boa Nova

Caminho
Caráter da Revelação Espírita
Caridade Material e Caridade Moral
Carregar a Cruz
Cartesianismo e Espiritismo
Centro Espírita, O
Centro Espírita e a Influência dos Dirigentes, O
Centro dentro do Centro
Centros de Força, Os
Cérebro e Mediunidade
Cérebro e Mente
Ceticismo e Espiritismo
Céu
Céu, Inferno e Purgatório
Charlatanismo e Prestidigitação
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Ciências e Espiritismo
Cinco Alternativas da Humanidade, As
Cinquenta Perguntas sobre o Livro "Nosso Lar"
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Cólera
Colônias e Fraternidades do Espaço
Concessão e Perda da Mediunidade
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Conflito em Família
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Cosmovisão e Espiritismo
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Crianças-Prodígio
Crise Política no Brasil e Espiritismo
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Cristo e Nós
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Cura pela Fé

D. Pedro II
Dai a César o que é de César
Deixai Vir a Mim as Criancinhas
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Depois da Morte
Depressão e Espiritismo
Desdobramento
Desenvolvimento Mediúnico Prático
Desequilíbrio
Desequilíbrio Mental e Reino de Deus
Desertores
Desigualdade das Riquezas
Desprezo e Espiritismo
Deus
Deus e Mamon
Deus Tudo é Possível, A
Dez Mandamentos
Dificuldade em Fazer o Bem
Dinheiro
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Doença Mental e Espiritismo
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Dogmatismo e Espiritismo
Dominação Telepática
Dor e Sofrimento
Doutrina Espírita
Doutrina Espírita: Notas Extraídas da Revista Espírita
Doutrinação de Espíritos
Druidismo
Druidismo e Espiritismo
Dúvida

Economia e Espiritismo
Ectoplasma e Materialização
Educa (Lição 30 de "Fonte Viva")
Educação Moral e Espiritismo
Educação na Revista Espírita
Efeito Inteligente e sua Causa (na Revista Espírita)
Egoísmo e Orgulho
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Em Homenagem a Tiradentes
Em Torno da Fixação Mental
Emoção e Espiritismo
Engana-se Quem Quer Enganar o Outro
Empirismo e Espiritismo
Epistemologia e Espiritismo
Epístolas de Paulo
Epístola de Paulo aos Romanos
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Esperança e Religião
Espinosa e Espiritismo
Espiritismo é o Consolador Prometido?
Espiritismo entre os Druidas, O
Espiritismo no Brasil: suas Origens
Espiritismo: Ontem, Hoje e Amanhã
Espíritos Sofredores: o Castigo
Espiritualismo e Espiritismo
Essa Profunda Serenidade
Estética e Espiritismo
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Estrada da Vida, A
Estudo da Natureza de Cristo
Etimologia de Denizard, Segundo o Dr. Canuto de Abreu, A
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Evasão de Pessoas na Casa Espírita
Evocação de Espíritos
Evolução e Espiritismo
Evolução da Mediunidade através dos Tempos
Excesso e Espiritismo
Exilados de Capela
Existencialismo e Espiritismo
Exorcismo e Espiritismo
Expiações Terrestres
Extensão e Compreensão: Aplicação no Espiritismo

Faculdades Morais e Intelectuais
Família Material e Família Espiritual
Fascinação e Subjugação
Fé: Mãe da Esperança e da Caridade
Fé: Notas Extraídas da Revista Espírita
Fé Inabalável
Felicidade não é deste Mundo
Felicidade pelo Dever Cumprido
Fenômeno Mediúnico, Mediunidade e Espiritismo
Ficção Científica
Filosofia e Espiritismo
Filosofia Espírita, O Termo
Filosofia Espírita e o Existencialismo Moderno, A
Física Quântica
Fixação Mental
Fluidos, Os
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Formas de Caridade
Fotografia e Telegrafia do Pensamento
Fundamentos do Espiritismo

Genealogia do Reflexo Condicionado
Gênese e Espiritismo
Gênese Mosaica
Geração Nova
Grandes Médiuns, Os
Grandes Vultos do Espiritismo
Gratidão

Hipocrisia
Hipócritas e Hipocrisia, em o Evangelho Segundo o Espiritismo
História do Espiritismo
História do Espiritismo: Notas Extraídas da Revista Espírita
Homem sem Palavra
Homens de Fé: Capítulo 9 do Pão Nosso
Homo Novus, Cérebro Novo
Honra a teu Pai e a tua Mãe

Idealismo e Espiritismo
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Iluminação da Consciência
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Inconvenientes e Perigos da Mediunidade
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Indiferença
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Joaquim Mota e a Divulgação do Espiritismo
Judas Iscariotes
Judas Iscariotes e a Paixão de Cristo
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Justiça e Vingança
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Kant, Hegel e Espiritismo

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Lei e Consciência
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Liberdade, Igualdade, Fraternidade
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Louco! Esta Noite Pedirão tua Alma
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Maternidade e Paternidade
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Mediunidade
Mediunismo — Capítulo VI, de Mediunidade, de J.H.Pires
Medo
Meio Ambiente e Espiritismo
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Mente Sã em Corpo São
Metafísica e Espiritismo
Meu Reino não é deste Mundo
Missão do Homem Inteligente na Terra
Missão dos Espíritos
Mito e a Desmitologização
Moradas na Casa do Pai
Moral Estranha
Morte
Morte: Começo ou Fim?
Motivos de Resignação
Muito se Pedirá Àquele que Muito Recebeu
Mundo Material e Mundo Espiritual
Mundos Superiores e Inferiores

Na Senda Escabrosa
Não Acrediteis em Todos os Espíritos
Não Colocar a Candeia debaixo do Alqueire
Não Julgueis para não Serdes Julgados
Nascimento de Jesus
Natal
Natureza Humana e Dever
Ninguém Pode Ver o Reino de Deus, se não Nascer de Novo
Notas de Rodapé - Um Curso de Filosofia Espírita Comparada
Notícia e Espiritualidade
Número e Espiritismo
Número e Fatalidade
Numerologia e Espiritismo
Nutrição Espiritual: Capítulo 134 de Pão Nosso

Obediência e Resignação
Observai os Pássaros do Céu
Obsessão
Olhos de Ver e Ouvidos de Ouvir
Ondas e percepções
Opressão
Ordem para o Estudo da Doutrina Espírita
Orgulho e Humildade
Ovoides

Paciência
Padre Damiano e o Heroísmo de Alcione
Pão Divino: Capítulo 173 de Vinha de Luz
Papel da Ciência na Gênese
Papel da Religião
Parábolas
Parábola da Figueira Seca
Parábola das Dez Virgens
Parábola do Festim das Bodas
Parábola do Bom Samaritano
Parábola do Credor Incompassivo
Parábola do Filho Pródigo
Parábola do Grão de Mostarda
Parábola do Joio e do Trigo
Parábola do Juiz Iníquo
Parábola do Mau Rico
Parábola do Semeador
Parábola do Tesouro Escondido
Parábola dos Lavradores Maus
Parábola dos Talentos
Parábolas Evangélicas
Paranormalidade e Espiritismo
Paulo e as Epístolas
Paulo: o Apóstolo dos Gentios
Pavlov e os Reflexos Condicionados
Paz e a Espada
Pedagogia: Jesus e Kardec
Pedi e Obtereis
Pena de Morte e Espiritismo
Penas e Gozos Futuros
Penas e Gozos Terrenos
Pensamento
Percepção Mediúnica
Perda de Pessoas Amadas e Mortes Prematuras
Perdão
Perfeição Moral
Perispírito
Perseverança
Perturbação Espírita
Pobre de Espírito
Porta Estreita
Posse e Espiritismo
Possessão e Espiritismo
Potencializar o Crescimento do Outro
Prece
Predições do Evangelho
Preocupação com a Morte
Presciência
Princípos Energéticos
Proclamação da República e Espiritismo
Prolegômenos
Psicologia e Espiritismo
Psicopatia e Espiritismo
Pureza Doutrinária

Quando se Raciocina, não se Crê Mais?
Quatro Evangelhos, Os
Quem me Segue não Anda nas Trevas
Quem se Elevar será Rebaixado

Razão, Fé e Espiritismo
Reencarnação
Reencarnação e Experiência
Reflexões sobre a Paz
Reflexos, Conceito de
Reflexos Condicionados e Mudança Comportamental
Reflexos Condicionados e Espiritismo
Regra de Ouro
Reino de Deus
Relativismo e Espiritismo
Religião e Vivência Religiosa
Religiões Universais e Espiritismo
Remorso: Notas Extraídas da Revista Espírita
Remorso e Arrependimento
Resumo Histórico do Espiritismo
Revelação: Humana e Divina
Revelação na Bíblia
Reverenciando os Trabalhadores Antigos
Revista Espírita
Revista Espírita de 1858: Apresentação da Obra
Revolução Francesa e Espiritismo
Rico e o Lázaro, O
Riqueza e Pobreza
Ritualismo e Espiritismo
Roustainguismo e Espiritismo

Sacrifício e Espiritismo
Sagrado ante o Espiritismo
Salvação da Alma
Santíssima Trindade
Santo Agostinho
Santo Agostinho e Comunicação Mediúnica
São Francisco de Assis
Sãos não Precisam de Médico, Os
Se Alguém te Bater na Face Direita
Sede Perfeitos
Sensação dos Espíritos após o Desencarne
Senso de Justiça, O
Sentido Oculto do Roustainguismo, O
Sermão do Monte
Silêncio
Simbologia e Espiritismo
Sincretismo e Espiritismo
Situação do Espírito durante a Gestação
Sobre a Eternidade
Sobre a Preguiça
Sociologia e Espiritismo
Sócrates e o Irmão X
Sócrates e Platão - Precursores do Espiritismo
Soler, Amalia Domingo
Solidão
Sono, Sonho e Espiritismo
Sublimação e Espiritismo
Suicídio e Espiritismo

Tédio e Espiritismo
Telecinesia
Tempo, O
Tempo Julga Tudo
Tempos Estão Chegados: Sinais dos Tempos, Os
Teologia Druidica
Teoria e Prática no Espiritismo
Teoria Magnética e do Meio Ambiente
Tiradentes
Tolerância
Transe
Transfiguração
Transição (Questões 146 a 160) de "O Consolador"
Transição Planetária
Transtornos Mentais
Três Peneiras, As
Três Reinos
Trevas

Últimos serão os Primeiros, Os
Útil, Inútil e Espiritismo

Ver as Coisas com Outros Olhos
Verdadeira Desgraça, A
Vibração
Vícios e Espiritismo
Vícios e Virtudes
Vida e Morte
Vida Futura, A
Vida Futura e Espiritismo
Violência e Espiritismo
Vivência Religiosa
Vontade Humana e Vontade Divina

Wicca


29 junho 2008

Os Dez Mandamentos

O aprofundamento de um tema depende da visão que se tem do assunto a ser tratado. Do mesmo modo que o futebol, em que a pessoa conhecedora da matéria aproveitará melhor a partida, assim também é a análise dos Dez Mandamentos. Muitos leem simplesmente aquilo que se tornou popular; outros refletem sobre as consequências da ação moral dali extraída; outros procuram cavar mais fundo, buscando as razões, os porquês do seu aparecimento e da sua atualização nos dias que correm.

Historicamente, os Dez Mandamentos apareceram em Israel. Na época, os reis egípcios dominavam politicamente e economicamente o país. O povo vivia na escravidão. O surgimento de um Deus pessoal, o Javé, veio no momento certo para libertar o povo do jugo do Faraó. A Lei de Deus é um grito de liberdade. Há uma aliança firmada entre Deus e Israel. Nessa aliança haverá liberdade, mas ao mesmo tempo reverência a um único Deus, pois Javé é um Deus ciumento e não aceita repartir o seu amor, principalmente com os deuses estrangeiros.

Os Dez Mandamentos significam as "dez palavras" recebidas por Moisés no monte Sinai. Pergunta-se: por quê dez? O número é exato? Moisés recebeu realmente essas duas tábuas das mãos de Deus? Há dúvida. Há, inclusive, indícios de que ele tenha extraído esses ensinamentos de O Livro dos Mortos dos egípcios. Ainda: o número dez é emblemático, pois se tornou sinônimo de uma síntese universal. Ele também facilita a memorização. Observe que há dez mandamentos para quase tudo em nossa vida.

O texto popular dos Dez Mandamentos é um resumo. Resumo é resumo e não consegue abarcar a totalidade da questão. Diz-se, por exemplo, que se deve amar a Deus sobre todas as coisas, mas fica faltando o aspecto social e político em que o primeiro mandamento fora pronunciado, ou seja, "Eu sou Javé, que te fiz sair da terra do Egito, da casa de servos..." Além do mais, pode-se desprezar o verdadeiro significado de alguns termos, tais como, sábado e cobiça. Sábado vem de sabat e significa descanso, dando como tradução a palavra Feriado. Cobiçar não é só desejar o que é do outro, mas querê-lo a todo custo.

Dependendo da Bíblia, haverá mais mandamentos referentes a Deus e menos ao próximo. Os protestantes desdobraram o primeiro mandamento em dois, e os católicos ampliaram o décimo. De qualquer modo, a soma será sempre dez. Os mandamentos afirmativos são apenas dois, ou seja, "Lembra-te de santificar o dia de sábado" e "Honrar pai e mãe". Os outros utilizam o termo "não". "Não matarás", "Não roubarás", "Não cometerás adultério" etc.

Jesus, para simplificar o decálogo, resumiu-o no "Amar a Deus sobre todas as coisas e a próximo como a si mesmo". Costumamos chamá-lo de décimo primeiro mandamento. É isso que resume toda a Lei e os profetas. Mesmo assim, deixou claro que existe um único mandamento, o maior de todos, que é fazer a vontade de Deus, nosso pai Criador.

Os Dez Mandamentos devem ser o farol a iluminar a nossa estrada espiritual. São dez advertências para que paremos e reflitamos sobre a nossa conduta no seio da sociedade em que vivemos.

 

 

Deus

Deus – do indo-europeu deiwos – significa resplandecente, luminoso. Quando nos referimos a Deus, logo se nos vêm à mente o demiurgo, o primeiro motor, a causa primeira, o início do mundo e da vida. De acordo com a Doutrina Espírita, Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. De Deus vertem-se dois princípios, o princípio material e o princípio espiritual que, individualizados, denominam-se, respectivamente, matéria e Espírito.

Os filósofos atribuem a Deus duas qualificações fundamentais: a de Causa e a de Bem. Em se tratando da Causa, Deus é o criador, o autor e o mantenedor da ordem do mundo. Tudo funciona sob a sua direção excelsa. Em se tratando do Bem, Deus é o criador da ordem moral (valores) do mundo. Neste caso, a providência divina tem papel de destaque, pois é ela que supervisiona todas as ações dos seres humanos. Deus cria as leis, chamadas divinas ou naturais. Nós, seres humanos, devemos pautar a nossa vida de acordo com elas.

A compreensão do monoteísmo e do politeísmo baseia-se na distinção ou na identificação entre Deus e divindade. No monoteísmo, que é a crença num único Deus, há uma perfeita identificação entre Deus e divindade. No politeísmo, que é a crença numa hierarquia de deuses, a identificação entre Deus e divindade não é clara. Para auxiliar o nosso pensamento, distingamos também a unidade da unicidade. A unidade não elimina a multiplicidade, mas a contém em si mesma, enquanto a unicidade pressupõe um ser único. Assim, o monoteísmo platônico é um politeísmo, pois pressupõe uma multiplicidade de deuses. O cristianismo, por sua vez, é monoteísta, pois aceita um único Deus.

A revelação de Deus pode ser humana, divina ou um misto das duas. A revelação humana é estritamente filosófica, pois é o próprio homem que, pelos seus esforços, busca compreender os mistérios da divindade. A revelação divina insere-se no campo da religião. No judaísmo, Deus se manifesta a Moisés; no Cristianismo, Deus se manifesta a Jesus. No Espiritismo, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo sua elaboração fruto do trabalho do homem. E como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental: formula hipóteses, testa-as e tira conclusões.

Abbagnano, em seu Dicionário de Filosofia, aponta nada menos do que dez provas da existência de Deus. O recurso ao consenso comum, a prova causal e a prova do movimento estão entre elas. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, desenvolve apenas dois aspetos: 1) "não há efeito sem causa"; 2) sentimento inato. Para entendermos o "não há efeito sem causa", basta lançarmos os nossos olhos à obra da criação. Se o efeito é inteligente, a causa também o será. O sentimento inato na existência de Deus é prova cabal de que Ele existe, pois se assim não fosse, o ser humano não se lembraria Dele.

Seguirmos as leis de Deus é o único antídoto contra o orgulho, a vaidade e a violência. Estudemo-las com a devida profundidade. Somente assim poderemos construir um mundo mais justo e mais feliz.

Compilaçãohttps://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/deus



Desigualdade das Riquezas

O mundo, em 2006, teve um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 47.915 trilhões. Como ele está dividido? O Brasil, com os seus US$ 1,117 trilhão, representa apenas 2,2% desse total. Em contrapartida, os dez maiores, liderado pelos Estados Unidos, representam 69%. Se considerarmos os 20 maiores, eles abocanham nada menos do que 83% de toda a riqueza produzida no mundo. Questão: por que os países ricos ficam cada vez mais ricos e os países pobres cada vez mais pobres?

A desigualdade da riqueza pode ser explicada, economicamente, em termos da posição geográfica em relação aos mercados mundiais, do estoque de matéria prima existente em seu subsolo, das oportunidades de investimento, das inovações tecnológicas etc. Mesmo assim, não se compreende por que uns são ricos e outros pobres.

Fala-se muito da falta de investimento em infraestrutura. Hoje, a maioria dos países em desenvolvimento está com problemas nesses setores: portos defasados, estradas esburacadas, ferrovias deficitárias etc. Pergunta-se: por que os países ricos não investem nesses setores, nos países pobres? Por que não liberam as suas patentes para que os países pobres tenham mais condições de competição? Não nos esqueçamos de que a melhoria do mundo depende da melhoria da cada um de nós.

Imaginemos a seguinte situação: um sábio, com dois pães na mão. Se ele der um dos pães para uma pessoa necessitada, ficará necessariamente com apenas um. Suponha, por outro lado, que ele encontre uma pessoa necessitada de conhecimentos, e distribua-os gratuitamente. Ele não ficou com menos conhecimento, mas a outra pessoa ficou com mais. O mesmo se poderia pensar em termos das invenções. Distribuída, a preços módicos, todos lucrariam com isso.

Dessa forma, a desigualdade social, que é o resultado das ações econômicas, iria minorando e, em pouco tempo, estaríamos nos aproximando da desigualdade natural, especificada pelo mérito. Nesse tipo de desigualdade, os mais ricos devem auxiliar os mais pobres e os mais fortes amparar os mais fracos. Aqui, devemos enfatizar que os indivíduos não são brasileiros, nem chineses e nem americanos. Antes de tudo, cada ser humano é um cosmopolita, cidadão do mundo e, como tal, faz parte da Humanidade.

A desigualdade social tem uma causa: provém do orgulho e do egoísmo da pessoa humana. No egoísmo, por exemplo, tenta-se obter tudo para si ou para os seus. Observe os políticos. Eles são eleitos, por um partido, para cuidarem do bem público. Entretanto, no poder, a grande maioria cuida apenas do bem particular ou do próprio partido. O correto, uma vez eleito, seria esquecer as questões partidárias e dedicar-se à coisa pública, que é de todos, independentemente de ser deste ou daquele partido.

Contudo, os princípios da Doutrina Espírita advertem-nos de que deveremos responder pela riqueza ou poder que nos foi colocado nas mãos. Não nos foi dado pelo simples prazer de mando. Eles devem ser exercitados para o bem da humanidade. Não somos donos, mas usufrutuários. Eis a grande verdade que devemos estar sempre a refletir.





Schutel, Cairbar

Dados pessoais:

Nome: Cairbar de Souza Schutel

Nascimento: 22 de setembro de 1868, no Rio de Janeiro

Homem: farmacêutico, prefeito da Cidade de Matão e espírita.

Desencarne: 30 de janeiro de 1938, em Matão.

1. CONVERSÃO AO ESPIRITISMO

Nascido em família católica, batizado aos 7 anos de idade, Cairbar Schutel cumpria suas obrigações perante a Igreja de Roma. Entretanto, já adulto e vivendo em Matão, passou a receber, em sonhos, a visita constante de seus falecidos pais, porque ele ficara órfão de ambos com menos de 10 anos de idade. Insatisfeito com as explicações de um padre para o fenômeno, Schutel procurou Quintiliano José Alves e Calixto Prado, que realizavam reuniões de práticas espíritas domésticas, logrando então entender a realidade do mundo extra-físico.

2. PARTICIPAÇÃO NO MOVIMENTO ESPÍRITA

Convertido ao Espiritismo, cuidou logo de legalizar o Grupo (hoje Centro) Espírita Amantes da Pobreza, cuja ata de instalação foi lavrada no dia 15 de julho de 1905. Resolvido a difundir a Doutrina Espírita pelos quatro cantos do mundo - e mesmo vivendo em uma pequena e modesta cidade no interior do Brasil -, o "Bandeirante do Espiritismo", como ficou conhecido Cairbar Schutel, fundou o jornal "O Clarim" no dia 15 de agosto de 1905, e a RIE - Revista Internacional de Espiritismo no dia 15 de fevereiro de 1925, ambos circulando até hoje.

Além disso, o incansável arauto da Boa Nova, com todas as dificuldades da época e da região, viajava semanalmente até a cidade de Araraquara para proferir, aos domingos, as suas famosas 15 "Conferências Radiofônicas", pela Rádio Cultura de Araraquara (PRD - 4), no período de 19 de agosto de 1936 a 02 de maio de 1937.

3. OBRAS

Escreveu, entre 1911 e 1937, os seguintes os livros:

O Batismo;

Cartas a Esmo;

Conferências Radiofônicas;

Histeria e Fenômenos Psíquicos;

O Diabo e a Igreja;

Espiritismo e Protestantismo;

O Espírito do Cristianismo;

Os Fatos Espíritas e as Forças X...;

Gênese da Alma;

Interpretação Sintética do Apocalipse;

Médiuns e Mediunidades;

Espiritismo e Materialismo;

Parábolas e Ensinos de Jesus;

Preces Espíritas;

Vida e Atos dos Apóstolos;

A Questão Religiosa;

Liberdade e Progresso;

Pureza Doutrinária;

A Vida no outro Mundo;

Espiritismo para Crianças;

4. ESFORÇOS PARA PUBLICAÇÃO

Adquiriu máquinas, papel, tinta, cola e outros insumos para impressão, procurando escolher sempre material de primeira categoria. Desse esforço surgiu a Casa Editora O Clarim, que hoje emprega inúmeros funcionários em Matão, tendo publicado mais de cem títulos de obras de renomados autores, encarnados e desencarnados.

5. COMUNICAÇÃO MEDIÚNICA

Algumas comunicações mediúnicas dizem que o Espírito Cairbar Schutel está, no mundo espiritual, encarregado pela divulgação do Espiritismo na Terra; sendo confirmada tal informação, essa nobre tarefa está muito dirigida, porque o movimento espírita deve muito ao querido "Bandeirante do Espiritismo", assim como à sua digníssima esposa Dª. Maria Elvira da Silva Schutel, pois, como diz a sabedoria popular, ao lado de um grande homem há sempre uma grande mulher!

Fonte: Grandes Vultos do Espiritismo.

Conhecimento de Si Mesmo

Os primeiros filósofos antes de Sócrates buscavam, nos elementos externos do ser, as explicações racionais do mundo. Para Tales de Mileto, a substância primordial era a água; para Anaxímenes, o ar; para Pitágoras, o número; para Demócrito, o átomo. Sócrates, porém, não via a filosofia como uma simples especulação filosófica; para ele, a filosofia não pode estar desligada da própria vida, que é pessoal e social. Essa atitude está condensada na máxima: "Conhece-te a ti mesmo", que é autoconsciência ou uma volta reflexiva sobre si mesmo. 

Sócrates não é o autor da frase "conhece-te a ti mesmo". Na tradição mítica, essa sentença foi proferida pelo deus Apolo, e estava gravada no frontispício do templo de Delfos [A frase completa era: "Conhece-te a ti mesmo e conhecerá o universo e os deuses"]. Foi somente depois da sua visita a Cherofonte, o oráculo de Delfos, que passou a refletir sobre o "conhece-te a ti mesmo". Este dístico inspira-lhe dois diálogos, narrados em Platão (Alcibíades, l28d-l29) e em Xenofontes (Memoráveis IV, II, 26), onde retrata a importância do autoconhecimento.

O oráculo de Delfos não ensinava filosofia. Sócrates interpretou essa ordem com um programa e um método, ou seja, propunha a seus sucessores trabalhar para se conhecer, a fim de se tornarem melhores. Ele, porém, não se iludia sobre as dificuldades dessa tarefa. Ele as experimentou e morreu por isso. Nada tinha de misterioso. Mas iria voltar a ser no momento em que os pensadores cristãos o adotassem e o interpretassem por sua vez.

A filosofia é o diálogo em busca da verdade. Como cada homem possui uma parte da verdade, ele precisa da ajuda de outros seres humanos para ampliá-la. Sócrates enfatizava que cada indivíduo deveria pensar por si mesmo, independentemente das ideias preconcebidas ou da opinião da maioria. Trata-se de buscar a verdade, não um simples acordo entre os interlocutores, pois se pode chegar a um acordo injusto. E mesmo que não se encontre a verdade, o diálogo tinha um mérito: desviar-se das opiniões sem fundamento.

Para Sócrates, a ignorância constitui condição prévia para o saber autêntico. Só quem reconhece a sua ignorância está capacitado ao aprendizado. Por isso, dizia: "sei que nada sei". Para chegar a esse estado prévio do não-saber, Sócrates lança mão de seu método, que é o de perguntar. As perguntas objetivavam descobrir o conceito que se ocultava na superficialidade do conhecimento. Primeiramente, aplicava a ironia, que é a forma negativa do diálogo, em que procurava confundir o interlocutor sobre um conhecimento que acreditava possuir; depois, aplicava a maiêutica, a forma positiva do diálogo que, baseado no ofício de parteira de sua mãe, procurava dar à luz um novo saber. Ele não ensinava, mas criava condições para que o conhecimento brotasse do ouvinte.

Allan Kardec, nas questões 9l9 e 9l9a de O Livro dos Espíritos, trata deste tema. As elucidações são do Espírito Santo Agostinho, que nos diz: "Fazei o que eu fazia quando vivi na Terra: no fim de cada dia interrogava a minha consciência, passava em revista o que havia feito e me perguntava a mim mesmo se não tinha faltado ao cumprimento de algum dever, se ninguém teria tido motivo para se queixar de mim. Foi assim que cheguei a me conhecer e ver o que em mim necessita de reforma".

Continuando a sua explanação, diz-nos que o conhecimento de si mesmo é chave do melhoramento individual. Caso tenhamos dificuldade de fazer essa avaliação, ou seja, estejamos indecisos quanto ao valor das nossas ações, perguntemos como qualificaríamos se a ação tivesse sido praticada por outra pessoa. "Se a censurardes em outros, ela não poderia ser mais legítima para vós, porque Deus não usa de duas medidas para a justiça".

Muitas faltas que cometemos passam despercebidas. Adquiramos o hábito de fazer perguntas claras e precisas sobre a nossa conduta. Quem sabe essa persistência não nos livra de muitos erros que cometemos diariamente?

Compilação: https://sites.google.com/view/temas-diversos-compilacao/conhecimento-de-si-mesmo

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gnothi seauton envolve em primeiro lugar uma tragédia. A tragédia começa com o enigma da esfinge apresentada ao rei Édipo, que pergunta: "Quem pela manhã anda sobre quatro pernas, à tarde sobre duas e à noite sobre três?". (A resposta: o bebê engatinha de quatro, o adulto fica de pé, e o velho anda com a bengala)

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Heráclito, o pensador de Éfeso, afirmava já no início do século V antes de nossa era: "É preciso estudar a si mesmo." Buda dizia: "Quando a verdadeira natureza das coisas se torna clara para aquele que medita, todas as suas dúvidas desaparecem, pois ele se dá conta de qual é essa natureza e qual a sua causa." Temos também a máxima de Sócrates: "Conhece-te a ti mesmo." No entanto, a máxima completa inscrita no templo de Apolo é: "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses." (LENOIR, Frédéric. Pequeno Tratado de Vida Interior. Tradução Clóvis Marques. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012, capítulo 7.)

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Conhecer-se a Si Mesmo

(Sociedade Espírita de Sens, 9 de março de 1863)

O que muitas vezes impede que vos corrijais de um defeito, de um vício, é, certamente, o fato de não perceberdes que o tendes. Enquanto vedes os menores defeitos do vizinho, do irmão, nem sequer suspeitais que tendes as mesmas faltas, talvez cem vezes maiores que as deles. Isto é consequência do orgulho, que vos leva, como a todos os seres imperfeitos, a não achar nada de bom senão em vós. Deveríeis analisar-vos um pouco como se não fôsseis vós mesmos. Imaginai, por exemplo, que aquilo que fizestes ao vosso irmão, foi vosso irmão que vos fez. Colocai-vos em seu lugar: que faríeis? Respondei sem segundas intenções, pois acredito que desejais a verdade. Fazendo isto, estou certo de que muitas vezes encontrareis defeitos vossos que antes não havíeis notado. Sede francos convosco mesmos; travai conhecimento com o vosso caráter, mas não o estragueis, porque as crianças mimadas muitas vezes se tornam más e aqueles que as mimam em excesso são os primeiros a sentir os efeitos. Voltai um pouco o alforje onde são colocados os vossos e os defeitos alheios. Ponde os vossos à frente e os dos outros para trás e tende cuidado para não baixar a cabeça quando tiverdes vossa carga à frente.

La Fontaine

Revista Espírita, junho de 1863. 

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Oráculo (c. 2000 a.C.) [China]

Poder de profecias e previsões inspiradas por uma divindade

Oráculos no mundo antigo eram tipicamente figuras religiosas com supostas habilidades proféticas inspiradas pelos deuses. A palavra "oráculo" vem do verbo latim orare, que significa "falar", e indica o papel do oráculo na entrega de mensagens do divino. Sabe-se que oráculos aconselharam algumas das figuras mais poderosas na história da humanidade, o que lhes dava posições de poder e influência. 

Talvez o oráculo mais conhecido seja o de Delfos, que se tornou famoso no século VII e VI a.C. por se comunicar com o deus grego Apolo. O papel do oráculo costumava ser desempenhado por uma sacerdotisa, que aconselhava políticos, filósofos e reis quanto a questões de guerras, dever e lei. O fato de figuras poderosas nessas sociedades dominadas pelos homens aceitarem conselhos de mulheres demonstra o alto nível de fé que era investido na profecia oracular naquela época. 

Hoje, os oráculos já não fazem parte do cotidiano. No entanto, I Ching, um antigo sistema chinês de adivinhação ainda é usado como meio de prever eventos futuros, tanto nas culturas orientais quanto nas ocidentais.  

ARP, Robert (Editor). 1001 Ideias que Mudaram a Nossa Forma de Pensar. Tradução Andre Fiker, Ivo Korytowski, Bruno Alexander, Paulo Polzonoff Jr e Pedro Jorgensen. Rio de Janeiro: Sextante, 2014.